"Responsabilidade é nossa habilidade natural de gerar respostas
para criar a nossa própria vida, sabendo que experimentaremos as consequências
de nossas ações.” – Gasparetto.
Um
dos grandes divisores entre o grupo de indivíduos que cresce na vida e o grupo
que apenas existe, como um animal instintivo, é a coragem de assumir erros. De
um lado, aquelas pessoas virtuosas que admitem seus próprios defeitos, sempre
na busca sincera pela excelência, para melhorar. Do outro, aqueles fracos que
necessitam de bodes expiatórios o tempo todo, que culpam o mundo ao redor pelos
seus males, que se colocam como vítimas. Uns são agentes ativos na vida, os
outros são passivos diante de tudo. A distinção entre ambos os grupos é
gritante.
As
ações humanas, por mais influenciadas que possam ser por fatores exógenos, são
sempre individuais. Indivíduos agem. A responsabilidade, portanto, deve ser
individual. Lembro que responsabilidade vem de habilidade de resposta, fazendo
responsável pelo ato aquele que o praticou. Eximir um indivíduo da
responsabilidade de seu ato é o caminho certo da desgraça. Pessoas fracassadas
costumam sempre depositar a culpa dos seus erros nos outros, de preferência
algo bem vago como sociedade, miséria, deus etc. Essas pessoas seriam apenas
marionetes, executando ações sem qualquer livre arbítrio. Autômatos guiados por
uma força oculta qualquer. Compram assim a tranquilidade de espírito, jogando
para outros a culpa dos próprios erros. Jamais saem da completa mediocridade,
no entanto.
Penso
nessas coisas quando vejo que o julgamento da assassina dos próprios pais irá
começar. A garota logo transfere para o ex-namorado a culpa do seu ato bárbaro.
Usa a maconha como bode expiatório também. Ela não cometeu o frio e violento
ato, segundo sua perspectiva. Foi “levada” a isso. E onde fica a
responsabilidade individual?
Extrapolando
essa característica para nações inteiras, vemos que os países miseráveis
costumam sempre culpar bodes expiatórios externos pela sua desgraça. São sempre
vítimas, transferindo a responsabilidade para outros agentes. A receita certa
para se perpetuar a miséria.
O
filósofo Schopenhauer já aconselhava nesse sentido: “Não devemos procurar
desculpas, atenuar ou diminuir erros que foram manifestamente cometidos por
nós, mas confessá-los e trazê-los, na sua grandeza, nitidamente diante dos
olhos, a fim de poder tomar a decisão firme de evitá-los no futuro”. Um dos
“pais fundadores” dos Estados Unidos, Benjamin Franklin, dizia que “os sábios
aprendem com os erros dos outros e os ignorantes não aprendem nem com os
próprios”. Esse foi um homem que buscou ser melhor a cada dia, sempre trazendo
à tona seus próprios erros do passado, para com eles aprender.
O
judeu Viktor Frankl, preso pelos nazistas, concluiu que “entre o estímulo e a
resposta, o homem tem a liberdade de escolha”. Ele decidiu reagir da melhor
forma possível diante daquela terrível situação. Não escolhemos tudo que se
passa ao nosso redor, mas escolhemos como reagir a tais estímulos. E o nosso
fracasso deve ser sempre uma lição. “Para os vencedores, os fracassos são uma
inspiração; para os perdedores, o fracasso é uma derrota”, lembra Robert
Kiyosaki. Uns ficam paralisados diante dos próprios erros, e logo partem para
as tradicionais desculpas, jogando o problema para fora de si. Outros assumem a
rédea da própria vida, entendendo que os erros devem ser enfrentados,
assimilados e transformados em valiosas lições, para jamais serem repetidos.
Afinal,
as ações são individuais. A habilidade de responder por elas também. Liberdade
individual só pode andar junto com responsabilidade individual. Quem foge
desta, se afasta daquela. Só é livre quem assume a responsabilidade pelos seus
atos, sem a busca constante por culpados exógenos.
Rodrigo
Constantino.